Peróxidos Orgânicos

PERÓXIDOS ORGÂNICOS

O constante e rápido avanço tecnológico associado a maior consciência quanto aos problemas ambientais, tem conduzido as indústrias transformadoras de Borracha, a uma rápida substituição da vulcanização tradicional via enxofre e aceleradores, pela reticulação/cura por peróxidos orgânicos, visto que os peróxidos e seus produtos de decomposição não são tóxicos, além de atenderem as mais rígidas especificações técnicas do mercado, agregando qualidade e produtividade a produtos e processos.

Descoberta da Cura Peroxídica

O uso de um peróxido orgânico como agente de reticulação foi relatado pela 1ª vez por Ostromislenski, em 1915. Nesse estudo experimental o Peróxido de Dibenzoila, que na época era usado no tratamento de farinha, foi usado na vulcanização de borracha natural. Esse novo método tinha suas limitações, pois produzia vulcanizados com baixa resistência ao calor.

No início dos anos 50, com o surgimento do Peróxido de Dicumila e sua efetiva comercialização, iniciou-se sua utilização na reticulação da borracha de silicone e polímeros saturados tipo EPM, silicone e algumas poliolefinas (polietileno). Pelo processo de Cross-linking verificou-se que a possibilidade de atribuir ao termoplástico propriedades de um termo fixo e a um elastômeros propriedades elásticas.

A Reticulação via Peróxidos Orgânicos

Durante a reticulação os peróxidos orgânicos formam radicais livres que abstraem hidrogênio da cadeia principal do polímero, dando origem a radicais poliméricos.A combinação de dois radicais resulta em uma reticulação (CROSSLINKING) com ligação C-C, formando energia de ligação (82 kcal).

Do ponto de vista de estabilidade térmica, a reticulação com peróxidos orgânicos, por ter maior força de ligação, é muito mais estável que a ligação de carbono/enxofre/carbono e confere boas propriedades quanto à resistência ao envelhecimento, já as ligações que se formam através do sistema convencional de vulcanização (via enxofre) são do tipo C - S  ou  C ? S ? C , cujas energias de ligação tendem a se quebrar ou rearranjar quando o polímero é submetido ao calor ou esforços mecânicos.

Peróxidos X aceleradores convencionais

Tipo de ligação Sistema de cura Força de ligação (kJ)
c-c Peroxídica 350
c-s Baixo enxofre 285
c-s-c Tradicional enxofre 155-270
    Ligação c-s ou c-s-c
  • Se quebram
  • Se rearranjam devido o calor
  • Esforços Mecânicos